Exórdio Quimérico Olhos fechados. Uma fenda no tempo, e então um quarto se espreguiça diante de seus olhos. Existem objetos espalhados ao redor de um escrínio bagunçado. Papéis e mais papéis... poesias, listas de compra, objetivos mensais, despesas... Na cama, havia alguém dormindo de forma extremamente confortável. Um homem, pareceu-lhe. Cabelos desgrenhados mergulhavam no travesseiro macio. O rosto não pôde ser visualizado, pois dormia de bruços. Tudo parecia muito sólido para um sonho rotineiro: as roupas empilhadas em uma cadeira, o sono profundo em que aquele suposto homem desconhecido se exilava. No baluarte da noite o brilho demonstrara-se cândido por aquela imediação, nisto, decidira procurar alguma caneta e escrever algo a respeito de seus sentimentos naqueles papéis bagunçados. Enquanto admirava a beleza encontrada pelo lado de fora da janela que jazia naquele dormitório estranho, escrevia, também, um aviso singelo de que estivera por ali e que gostaria muito de sabe...