Olhos fechados. Uma fenda no tempo, e então um quarto se espreguiça diante de seus olhos. Existem objetos espalhados ao redor de um escrínio bagunçado. Papéis e mais papéis... poesias, listas de compra, objetivos mensais, despesas... Na cama, havia alguém dormindo de forma extremamente confortável. Um homem, pareceu-lhe. Cabelos desgrenhados mergulhavam no travesseiro macio. O rosto não pôde ser visualizado, pois dormia de bruços. Tudo parecia muito sólido para um sonho rotineiro: as roupas empilhadas em uma cadeira, o sono profundo em que aquele suposto homem desconhecido se exilava. No baluarte da noite o brilho demonstrara-se cândido por aquela imediação, nisto, decidira procurar alguma caneta e escrever algo a respeito de seus sentimentos naqueles papéis bagunçados. Enquanto admirava a beleza encontrada pelo lado de fora da janela que jazia naquele dormitório estranho, escrevia, também, um aviso singelo de que estivera por ali e que gostaria muito de saber mais sobre aquele lugar. Escrevera a respeito de sua curiosidade em relação às pilhas de papel na escrivaninha e que, caso aquele lugar fosse real, estaria ali sua chance de fugir de suas raízes, pois tudo parecia tão concreto quanto o chão que pisava todos os dias ao levantar-se. Poderia não ser um sonho, o que custava apostar no encontro de almas durante a quietação? O que era visto da janela era idílico, e ali parecia que todos os verbos desconhecidos em seu plano eram conjugados de forma frequente. O homem em que a cama sobraçava-se enquanto dormia parecia tão perto quanto seus ventrículos, apesar de estar em sono profundo. Ele lhe parecia próximo o suficiente para que conversasse sobre ter comido o almoço no café da manhã e também para que desabafasse a respeito da necessidade de desenvolver a fraternidade e princípios tanto éticos quanto morais mais elevados. Tudo aquilo poderia ser uma fantasia, mas isso não impediria seu incólume desejo em visitar novamente aquele local.
"Onde o mar é invertido e trocou seu sal pelas estrelas. Onde a escuridão não parece tão lúrida e meu olhar fulgura em regozijo ao refletir quanta beleza há neste lugar que desconheço o nome. Da janela consigo abraçar a galáxia e, deste quarto, escreveria milhares de cartas ao mundo, pois nunca tive a oportunidade de ver tantos papeis unidos em uma só escrivaninha, o Senhor que dorme poderia explicar-me algum dia o motivo para tantas poesias belas espalhadas, sim? Este lugar me faz bem, o que a janela reflete embriaga-me as íris e então penso que voltar para casa não será tarefa fácil. Em meio ao caos está assentada minha existência, e, neste Sonho estou depositando o meu forte desejo por sumir. Neste quarto jaze tudo o que sempre tento explicar para mim mesma e não consigo por não encontrar termos. Perdoe-me a ousadia em desejar muito vir a este lugar novamente algum dia e conversar com seu possante - o Senhor, neste caso. E assim, grata pela janela que derrama estrelas em seu dormitório, despeço-me em total hesitação.
Aquela carta se faria útil? Seria material ou não passava de mais uma ilusão? Pensou antes de voltar ao corpo físico e despertar para o pesadelo que era sua realidade.
Tempo Hodierno
Relendo a primeira carta que recebi da mulher que mais amei em toda minha existência, só sou capaz de observar algumas análises internas ocorrendo simultaneamente: quando você pensa que está incrível, não está para tanto; quando você vê um problema, saiba que a culpa é somente sua e de mais ninguém, e então perceba que a vida agitada não lhe pareceria um obstáculo se o caos não acompanhasse, ou melhor, tornasse a rotina um desastre. Com isso, as ondas quebrando na mente já não serão mais nada além de um sinal do cansaço que carrega-se nos ombros.
Realidades Similarmente Paralelas
O governo corporativista é um dos melhores meios que psicopatas desenvolveram com intento de agredir pessoas. Um dia comum, na pele de alguém como ela, poderia ser nada mais nada menos do que hostil. As ruas belas. Jardins bem aparados. Arranha-céus belíssimos que exaurem, essa é a vista de um mundo onde o reconhecimento supremo ocorre através da violência. O céu se divide entre o subjugado e o algoz. Mulheres e homens são escravizados através do trabalho e da manipulação mental; crianças e jovens têm como obrigação a frequência em aulas com conteúdos previamente selecionados por uma agência reguladora governamental. Lidar com a crueldade nua e crua sem voz ativa é um cotidiano carimbado. O povo é silenciado pelo medo da morte. Faz-se sem questionar, o que demonstra o quanto o sistema funciona bem para a realeza minoritária e detentora do maior nível de poder bélico e tecnológico. Realeza que controla e espolia através do trabalho excessivo da população. População essa que paga impostos altos para, logo após, tentar sobreviver, mesmo que em condição de total inópia. Resguardar a vida tem se tornado um trabalho árduo, pois, em prol da inclusão, muitos grupos de massacre e tortura passaram a ser vistos como algo comum. A única forma de passar despercebido é se envolver na doutrinação de crianças, ensinando-as o quanto os direitos individuais atrapalham a visão social e o bem coletivo. Matar é o auge, psicopatas são aplaudidos de pé em rede nacional, e quanto mais inescrupulosos forem seus meios de espoliação, mais aclamados são. O limite de ação está sob controle da mídia, e o medo do povo é aparecer de qualquer forma considerada equivocada pelo clero. Ela é muito diferente, apesar de sua rotina se basear em trabalhar para a fábrica principal da cidade, assim como a de maior parte dos cidadãos. O que a faz diferir são seus sonhos: transcender e libertar, o que, de modo concomitante, faz com que seus pensamentos sejam alvo de chacota ou de distanciamento. Alguns duvidam de sua sanidade, mas poucos a conhecem ao ponto de saber seu primeiro nome. Suas características tornam-se foco de críticas a partir do seguinte: no resguardo de seus pensamentos não há nada físico capaz de se aproximar de sua verdadeira necessidade: encontrar-se com a própria essência. Obter ascensão. Não há nada equiparável com seu coração nesse mundo no qual nascera e se desenvolvera. Em sua mente existem palavras que não encontram-se com a fonética. A mesma vive sensações inexplicáveis por conta de uma escassez de definições em sentença e, conforme o tempo passa, ela percebe jamais poder pertencer a nada, pois no céu não há sequer uma constelação que bruxuleie em forma de égide e sirva como clípeo para seu coração desesperado por algo que sabe o quê, mas não sabe onde; obstinado pela verdade amarga da morte que é não sentir-se em seu lugar, ladrilhando pelos vales de uma nascente em desalento, sem conseguir olvidar a última vez em que conseguira ultrapassar as linhas do tempo, e visualizar o mundo em que gostaria de fundamentar sua existência. A esperança de tocar os distais de um alguém não-conhecido, em prol de um novo lugar para se viver parecia-lhe mais próxima. Tudo lhe revoltava: a escravidão enrustida em liberdade, a falsidade nos sorrisos de impostores, os olhos falsamente empáticos que cercavam-na todos os dias enquanto caminhava em direção aos Centros de Doutrinação para, contra sua vontade, auxiliar os encarregados de lecionar para crianças. Quando aqueles sonhos, por fim, aconteceram e fizeram-lhe duvidar de sua sanidade, as perspectivas a respeito do futuro continuaram cada vez menos assertivas; não se sabe exatamente o que é ser realista ou não. Há poucos dias estávamos em frente a uma janela, o mundo estava desfocado e a única coisa que verdadeiramente importava, atualmente, se faz trivial e, até mesmo, impossível. Hoje, estou só novamente. Aqui, em frente a esta mesma janela, e só consigo ver neblina, porém, por dentro, milhares de cenas se passam de forma a torturar-me o psicológico. "Seja bem-vindo ao próprio mundo interior do qual fugira por tanto tempo!" - penso sarcasticamente. Não há muito o que possa ser feito, não durante as próximas semanas - crise mundial está se instaurando, não somente econômica, mas sim em todos os aspectos que envolvem as interações humanas. Sair de casa desnecessariamente? A mais nova piada entre os seres, e de desígnio ácido, inclusive; mas o que é sair sem necessidade atualmente? Basicamente qualquer motivo sem caráter emergencial, por exemplo: ver a própria família, se divertir, dar uma caminhada para sentir as brisas do amanhecer. As únicas situações válidas são: comprar alimentos e medicações. A partir de todas essas considerações, estaríamos tresloucados em, de certa forma, crer que poderia existir alguma forma de escapar do domínio tirano daquele cativeiro? O lugar onde nos encontrávamos era o Sonho. Um local paralelo e desconexo, porém mais real do que qualquer objeto palpável no plano material. Naquela fenda, fosse real ou não, a mesma encontrara o cálice necessário para lutar por seu vinho, e posso dizer que eu, como o colossal covarde que descobri ser, estilhacei-o. Não tenho coisas muito profundas para dizer. Na soturnidade que carrega minha alma tenho mais palavras do que gostaria, e mesmo que eu quisesse soltá-las, não existiriam espaços suficientes. Não existiria um coração sequer que fosse grande o bastante – como o meu - para acolher as imensas nuances de sentimentos que já vivi. Gosto de pensar que tudo já está resolvido, e que as dores que passei só me fizeram bem (e realmente o fizeram), mas muitas vezes penso “por que eu?”. Hoje, vejo um reflexo engraçado de mim mesmo, algo que ainda está em fase de desenvolvimento. Sou realista, aceito meus erros e tento juntar os cacos que encontro por aí do coração que bate em meu peito e, também, do que bate nos de quem amo. Às vezes não consigo e até trinco um pouco mais aquilo que já havia reconstituído... A vida não deveria ser assim, e me culpo muito por isso: por tentar, tentar e tentar. Por fracassar e, muitas vezes, achar que acertando uma vez, já poderia considerar canceladas todas as decisões erradas, todas as atitudes impróprias e os egoísmos velados pelo medo de me perder na solidão. Vivi pouco o suficiente para entender que a vida não foi feita para discutir sobre parâmetros, mas sim para aceitar tudo aquilo que recebemos como um presente desafiador. Meus familiares pedem para que eu tente olhar as situações através de novos ângulos; que ao receber algo extremamente árduo, devo me sentir lisonjeado, pois isso significa que sou uma fortaleza, porém tudo pareceu muito rápido, e quando paro para pensar nos Sonhos, só consigo imaginar um raio que corre pelo céu e permeia as nuvens. Nada acontece, mas a faísca chama atenção. Não existem batalhas vencidas e nem perdidas, o que existe são duas pessoas com medo de sumir em meio às faíscas de uma suposta tempestade. Amedrontadas pela ideia de não se alcançarem ou de, talvez, nem sequer haver um mundo além do Sonho. A mentalidade rasa do externo não enxerga que, aqui, não há mais nada a ser alcançado, não existe uma jornada para o sucesso, para a felicidade ou para chegar em algo, não para mim. Isso tudo é somente uma falsa noção da existência de amanhãs que irão recompensar uns e punir outros, mas viver na esperança é tentar viver em algo que o tempo nunca irá proporcionar para ninguém: o futuro. O que o tempo nos proporciona é o agora, e é disso que vivemos, a questão é sair desse para um que verdadeiramente faça sentido. Essa situação não me faz sentir um louco; me encontrei em muitos aspectos, me refiz como pessoa e sei que muitos pensamentos que tinha antigamente se tornaram praticamente nulos. Os momentos difíceis que vivemos ao longo da nossa história só nos provam o quanto somos desatualizados a respeito de quem somos, não nos conhecemos por inteiro, e é por isso que fazemos coisas e, postumamente, vemos que não deram certo. Fazemos os testes e coletamos os dados, e essa coleta envolve um turbilhão de emoções. Imagine: você é o cientista e ao mesmo tempo o objeto a ser observado, não dá uma sensação confusa? Você é sua cobaia, ainda não sabe qual a sua real capacidade de suportar ou vencer obstáculos. Nos desafiamos todos os dias e, muitas vezes, no meio desses experimentos, acabamos nos decepcionando com os conceitos que são formados na cabeça dos outros a nosso respeito, principalmente porque muitos não são verdadeiros, mas a questão maior é: muitas pessoas sentem a necessidade de falar coisas ruins a respeito de algo para não sentirem-se inferiores àquilo. Para não admitirem que o que têm não é equivalentemente bom em relação ao que vê no outro. Muitos seres humanos saem por aí dizendo: "Projete-se! Projete sua vida, decida seus conceitos. Você tem a opção de receber a realidade que sempre quis viver ou não, mas isso não significa que parará no tempo, você continuará em algum tipo de realidade, pois é isso que fazemos por aqui, a única diferença será: você acabará recebendo realidades indesejáveis e se tornando cada vez mais infeliz" - porém esses mesmos também descreem ao ouvir-me. Meus relatos, para tais, são somente alucinações; em seguida voltam a disparar seus dardos verborrágicos: "Devemos acreditar na situação que nos empolga, e então nossas ações começarão a nos levar àquilo, porém, se nossas crenças forem limitantes, não resolverá em nada." - por isso não estou com a mulher que tanto amo? - Para eles a explicação é simples: não teremos forças para depositar nosso melhor, o que gera a impossibilidade de receber o que queremos verdadeiramente viver. A questão não é criar, mas estar preparado para receber a realidade já existente. Não é culpa do externo, e nunca será; é sobre essa mania de limitar os caminhos, e acreditar que existe algum tipo de regra para o que é real e o que é somente uma idealização intangível. Quando temos essa crença, recebemos uma realidade igualmente limitante. Desisti ao perceber os olhares de pena se formando, ao notar as diferenças no tratamento para comigo e nos conselhos que incluíam consultas psiquiátricas. Agora estou aprendendo a confiar sozinho, a não ter medo e nem esperança. Estou aprendendo a ter coragem e confiança no Sonho, talvez assim se faça possível um reencontro com meu grande amor. Ao notar o quanto consterno-me ao vê-la grifada em meu peito como se fosse um órgão de suma importância para a homeostasia, confesso: as lágrimas inundam, e milhares de fotografias se espalham na memória. Momentos únicos e indeléveis; nunca estive tão em casa quanto ao lado dela. "Srta. Assels" - sorrio brevemente ao recordar de seus modos totalmente incomuns, porém de extrema destreza e sofisticação. Confesso que, no decorrer da estrada, ela foi a única imagem que não se apagou de minha mente. Ainda sinto seu rosto colado ao meu peito e, em seguida, seus lábios ao me despedir. Sinto falta, e tenho certeza: não me importaria de dividir essa vida com ela. Às vezes é difícil analisar as coisas de modo coeso, pois não sinto muito encanto sem tê-la por perto, e a única coisa que anseio neste momento é que tudo dê certo para encontrá-la o mais rápido possível. Eu só queria que ficasse tudo escuro e a vida sem ela parasse de acontecer. Queria ter feito tudo hoje, para simplesmente não precisar viver assim. Na minha mente não existe mais cedo nem mais tarde, e o agora simplesmente não faz muito sentido. Estou aqui, mas não importa, não vou a lugar algum até descobrir um modo de ir ao encontro de minha grande paixão e trazê-la para perto de mim a fim de proporcionar tudo o que a mesma sempre quisera: um paradigma justo para estabelecer sua verdade sem temer. Ao cogitar seu sofrimento na realidade em que se vê obrigada a viver, minha cabeça parece um vulto branco, tento pensar em algo bom, ou até mesmo ruim, mas nada me tira desse pânico. Uma grande nuvem cinzenta que invade os meu pensamentos e faz tudo perder o sentido. Não vejo mais graça e nem sabor em nada do que eu faço. Não sinto vontade de estar perto de ninguém e nem de comer minha comida favorita. Não tenho vontade de chorar, nem de tentar me sentir feliz. Na verdade mesmo, eu não tenho vontade de nada. Só queria dormir mais e mais e mais. Acordar amanhã para sentir o peso dos meus ossos e desistir novamente. Fechar os olhos e fingir que a vida já passou, que esse temporal já não está aqui como antes, só que, na verdade, isso não é tão fácil assim. Existe tanta gente que me ama e me quer bem, e eu não posso magoar ninguém, mas muitas vezes tenho vontade de desistir, afinal, perder alguém que nunca nem sequer encontrou em matéria é muito confuso e doloroso. Não sei exatamente onde estou, só olho para os céus e peço forças. Nessas horas, acho que vai ser melhor desistir de vez, que os que ficarem saberão lidar. Gostaria muito de conseguir ver a vida como a maior parte, não sei qual o impedimento, um dia creio que o mesmo se fará evidente; enquanto isso, não posso evitar deixar-me levar pelas lembranças que adornam meus dias e trazem o auspício necessário para que eu veja sentido em manter o funcionamento pulmonar: reencontrar Victoire e trazê-la para sua verdadeira casa...uma Nova Terra para criar raízes.
Anamneses Advindas de um Canhenho
O Consectário da Saudade
" - Talvez eu realmente não seja adequada para ninguém em específico. Gosto de coisas tão distantes da organização social na qual subsisto... Apraz-me questionar a relevância das coisas, e a necessidade de tudo que me é posto. Será que só eu sou assim? Acho que não, mas provavelmente, quem também o é, esteja tão distraído com esses questionamentos quanto eu. Deve ser esta a razão pela qual não encontramo-nos, ou então não nos demos a chance de percebermo-nos...Indago-me se não estaria somente numa divagação parva. Sendo sincera: há tantos seres, em algum momento há de aparecer alguém, mesmo neste mundo estranho no qual resido, que faça mais sentido que a solidão. - Dizia ela, sentada na proa das estrelas, enquanto admirava meu dormitório num Sonho qualquer.
Admirei seus traços delicados enquanto falava todas aquelas coisas profundas, ali não importava mais nada. O tempo não era uma questão a ser resolvida, mas sim a oportunidade divina de unirmo-nos por toda a eternidade. Nosso paraíso paralelo; o refúgio perfeito.
- Você fala sobre questões sérias com tanta naturalidade que até assusto-me em identificar-me de modo tão intenso com sua situação. É como se, todas as vezes em que você fala, estivesse dizendo tudo aquilo que sinto e não sou capaz de expressar de modo efetivo, porém, ao mesmo tempo, aprendo a amar o surreal: este momento. Conte-me algo,Victoire! Qualquer coisa que me auxilie a lhe encontrar além daqui, deste Sonho, pois você é a única que me oferece a verdadeira companhia. - disse aproximando-me da janela e, consequentemente, dela, que mirava-me fixadamente, com os lábios entreabertos e um lacônico sorriso que evidenciava-se conforme minhas mãos apossavam-se de sua cintura.
- Quer saber como eu me sinto sempre que desperto-me após encontrar-lhe em Sonho? - perguntou-me de pertinho, quase sussurrando.
Sorri e assenti meneando a cabeça. Em seguida, apertei mais ainda seu corpo contra o meu. Ainda sentada na janela, a mesma entrelaçou suas pernas em minha cintura, surpreendendo-me positivamente.
- Certo; ao voltar para o local em que resido fisicamente, consigo sentir profundidade, mas ao mesmo tempo vibro sob as incertezas que correm pelas veias de todo meu corpo. Ao tocar as mãos uma na outra percebo que elas estão gélidas e molhadas; sinto calafrios. Submerjo em um mar que não me parece seguro, mas não tenho opção: fui feita para amar você desde o primeiro Sonho em que te vi. Sempre. Você remanesce desde sempre. Enquanto esses minutos vão se passando lentamente, sinto vontade de encontrar suas lumes ao virar para o lado, porém decepciono-me novamente ao constatar o de praxe: um relógio despertando-me, pela segunda vez no dia, com sua música maldita.
Gargalhei sem medo de soar inadequado, com ela não havia motivo algum para receios. Estávamos tão próximos, e isso era tão confortável quanto ficar debaixo das cobertas no inverno sem precisar se preocupar em levantar cedo para eventuais compromissos. Só queria não precisar acordar nunca mais; poder viver para sempre ali, naquele quarto com a fenestra mágica que nos fazia sentir como se a via-láctea fosse nosso quintal.Ela me olhava tão viva... tão linda. Quando dei-me por conta, nos beijávamos de forma imódica.
-Eu amo você! - sussurrei entre os beijos, que tornaram-se ainda mais voluptuosos.
-Promete que vem me buscar?- indagou-me.
-Não descansarei enquanto não lhe tiver em meus braços. Você é tão doce e admirável,senhorita Assels, meu amor.Tudo que posso lhe oferecer é meu esforço para alcançar-lhe. Onde quer que seja este mundo no qual vive, dedicarei todas as existências necessárias para que compartilhemos, nem que seja, o pouco que me restar.
- Lhe aguardarei todos os dias ansiosamente, ao mesmo tempo em que também procurarei por formas de ir ao seu encontro, amor meu. Abriremos uma janela para ver a chuva cair e molhar o chão, e não mais para possibilitar nossos encontros no espaço-tempo. - alegou enquanto sorria animada com nossos planos.
Srta. Victoire Assels é o amor da minha vida, e isso tornava-se cada vez mais claro ao longo de nossos inúmeros encontros astrais.
-Eu prometo uma janela com garoa, um céu repleto de nuances fantásticas,uma vida completamente diferente de tudo o que você possa imaginar. Estou obstinado a ser seu homem. - disse com sinceridade e a beijei profundamente."
(até tudo se transformar em fumaça e sumir)
-Eu amo você! - sussurrei entre os beijos, que tornaram-se ainda mais voluptuosos.
-Promete que vem me buscar?- indagou-me.
-Não descansarei enquanto não lhe tiver em meus braços. Você é tão doce e admirável,senhorita Assels, meu amor.Tudo que posso lhe oferecer é meu esforço para alcançar-lhe. Onde quer que seja este mundo no qual vive, dedicarei todas as existências necessárias para que compartilhemos, nem que seja, o pouco que me restar.
- Lhe aguardarei todos os dias ansiosamente, ao mesmo tempo em que também procurarei por formas de ir ao seu encontro, amor meu. Abriremos uma janela para ver a chuva cair e molhar o chão, e não mais para possibilitar nossos encontros no espaço-tempo. - alegou enquanto sorria animada com nossos planos.
Srta. Victoire Assels é o amor da minha vida, e isso tornava-se cada vez mais claro ao longo de nossos inúmeros encontros astrais.
-Eu prometo uma janela com garoa, um céu repleto de nuances fantásticas,uma vida completamente diferente de tudo o que você possa imaginar. Estou obstinado a ser seu homem. - disse com sinceridade e a beijei profundamente."
(até tudo se transformar em fumaça e sumir)
(Victória Elsner)

Nice poem Victoria
ResponderExcluirThank you!
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