Há, desde muito, um postulado repleto em advertências inúteis sobre a criação dos céus e da terra, sobre o medo de cometer despautérios e todos os outros termos que aprisionam os parvos. E, sobretudo, manchas de sangue que cobrem milhares de corpos estirados no chão vetusto, mortiço, p útrido e abundante em odores fétidos no qual piso. De todos os cadáveres que, ali estilhaçados, se abraçam em suas próprias interjeições, o que mais chama-me é o teu, por conta dos lábios cinzentos vertidos no sangue que, pintando teu corpo, me parecem uma tela sombria e venusta. Finjo rabiscar o rubro carmesim em teus lábios, delineando teus olhos estáticos,penso em como parecem-me indubitavelmente belos. Em meio ao caos, cogito que talvez fosses meu em breves contextos brandos. Quiçá fosses o dono de meus pensamentos menos adventícios, e em teus braços pudesse eu velejar. Ah, se em teus lábios mortiços pudesse eu alumbrar-me, passeando por teu rosto, por teu corpo em toda essa imensidão.....