
É difícil olhar alguém pela última vez, principalmente quando o ser em questão é tudo o que você sempre quis depois de si mesmo. Há uma forma muito peculiar no modo com o qual costumo me despedir, e sempre envolve o silêncio. Não me apetecem muitas palavras, não nestes momentos específicos onde não se cogita uma próxima circunstância; onde a decisão é ir para nunca mais voltar. Toda a forma de dizer adeus me soa muito invalida e superficial, prefiro simplesmente ir embora. Os rodeios entorno de um vínculo saturam-me. Reviro os olhos enquanto penso em todos os dramas desnecessários que são cultuados em prol de uma suposta necessidade por elaborar uma despedida que também dê todas as razões do mundo para ficar. Isso me parece totalmente sem nexo, porque se meu intento é permanecer, não há nada no mundo que me impeça. Decido ir embora quando já não existe espaço dentro de mim para mais ninguém. Quando todos os meus vazios estão preenchidos por pensamentos tão profundos, que me custa muito voltar à superfície. Sou um peixe, aprendi a respirar, mas isso não significa que me sinta confortável com este ato. É exaustivo. Nas profundezas, divago sobre todas as vezes em que virei as costas sem olhar para trás. Em todas elas, senti cada partícula de meu corpo esvanecer por breves penumbras de nostalgia, mas confesso:
De todas as despedidas
a mais inconsequente fora ir embora de mim mesma
(apesar da face monocórdica, eu senti - e muito)
Foi a única vez em que me vi
obrigada a olhar para trás
e reverenciar minha própria existência.
(Victória Elsner)
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