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ETERNO EPÍLOGO DE ABSURDOS

Morei nos desatinos mais profundos, até que cansei das condutas impróprias e cheias de esfarrapo. Ao mirar minha própria face, percebi milhares de questões em aberto de total descabimento. Hoje me distancio por toda a eternidade dos múltiplos enlaces já efetuados, e encontro um caminho por onde o sol se esvai e, de modo concomitante, despede-se de mim para sempre.
 São tão aleatórias as formas de se encontrar a dor que nem preocupo-me mais em relação aos fatores que regem a criatividade vital, afinal, já estou certa de haver sempre novidade nesses aspecto. Sob este mesmo mormaço estrelado que desvanece, dedilho as promessas mais auspiciosas e anseio por tudo aquilo que, de certo modo, mais temo. E, contraditoriamente eu, um eterno epílogo de absurdos, só receio uma coisa: a mim mesma. Defino-me "epílogo" porque sempre estou no fim de todas as minhas vivências; mesmo quando penso estar em seu princípio, a existência vem e me explica que, muitas vezes, as coisas são rasas mesmo, e não há nada que possa ser feito para alterar esta peripécia. Ainda não dormi, e estou muito longe do sono.  Qualquer hora estarei a dormitar, em meu jazigo particular. Muitos diriam ser o Inferno, mas há alguém que compreenda mais a humanidade que o proprietário das Trevas? Muitos deveriam cogitar a possibilidade de que seus paraísos estejam muito abaixo dos verdadeiros conceitos de empíreo.
 Se há algo de precioso nesta vida, digo que é a Morte.

(Victória Elsner)

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