Os percalços de um jovem residem na falta de experiência, que convida o medo para tomar um chá. Obviamente que a insegurança faz parte desse ilustre e lúgubre evento. É importante esclarecer que a juventude também é um estado de espírito, e não somente uma contabilização dos anos já vividos, porém nesse momento abordarei mais a questão da imaturidade, deixando de lado a ideia de “espírito jovial”, pois existem pessoas com pouca idade e sem nenhuma jovialidade atrelada. Talvez eu esteja sendo impessoal demais, irei falar de minha vivência a partir de agora.
Considero-me uma moça centrada, porém muito insegura e seletiva. Desde criança sempre tive uma postura um tanto quanto peculiar, o que afastava outras crianças. Por que estou falando isso? Porque agora, em minha juventude não está sendo muito diferente… Há uma diferença muito grande em meu modo de interagir, e percebo que minhas pautas não soam muito aprazíveis aos que compartilham do mesmo número que eu (23 anos). Socializar é complicado, porém não é a coisa que mais amo (o que mais amo é escrever). As emoções de um jovem são muito intensas e afrontam, atordoam; as tentativas de se encaixar nos parâmetros criados causam ansiedade. É difícil, ao menos para mim, compreender os sentimentos que a vida me causa. O mais complicado é lidar com as cobranças, porque existe uma grande exigência em relação ao jovem; ele precisa ser enérgico, precisa “curtir” e ao mesmo tempo ser responsável e independente, coerente, maduro, etc., porém sabemos que isso não funciona assim. Tenho 23 anos e confesso ainda não saber encarar a vida adulta. Tenho muita dificuldade em sair de casa e explorar o mundo (prefiro explorá-lo estudando a respeito das coisas, mas sem precisar fazer as malas pra lugar nenhum). Não sei se o que estou escrevendo faz algum sentido, porém, no meu ver, ser jovem é ser confuso e não saber exatamente o que fazer ou como fazer, mas sentir-se muito cobrado em relação a “fazer algo”. É uma sensação de “você precisa dar certo! Todos têm expectativas sobre você. Não decepcione essas pessoas”. Enquanto jovem, me sinto bem deslocada, mas isso não é de hoje. Sempre me senti assim. Eu sei o que eu quero e, ao mesmo tempo, sou insegura (bem ambígua); tenho planos, mas me falta maturidade e poder aquisitivo para executá-los de modo adequado… Acho que existir é uma eterna ambiguidade, independente da idade, mas eu sei que na juventude as coisas são mais “à flor da pele”, parece que o Beto Carrero World se mudou para dentro da gente sem nem avisar. Chegou e é isso… Enfim, se eu pudesse um único conceito para definir essa fase da vida, seria “montanha-russa”.
O meu maior desafio enquanto pessoa (e jovem) é conciliar meus hiperfocos com os compromissos acadêmicos e com a vida de um modo geral. Atualmente meu hiperfoco é língua alemã, e aí eu só quero falar disso o tempo inteiro e as pessoas não entendem muito bem. Quando eu era criança, achavam fofo o meu jeito pitoresco, porém agora não é mais assim.
É difícil eu conseguir me concentrar em coisas que não me interessam, e existem várias matérias na faculdade que eu particularmente não estou nem aí, o que implica em um estresse enorme porque sinto as cobranças do mundo. O mundo não se importa se eu estou me divertindo ou apreciando o momento de aprendizagem, só que, para mim, isso é crucial, tendo em vista o fato de eu ter TDA. O autismo intensifica mais ainda o TDA através do hiperfoco e da inflexibilidade. Sou muito resistente. É realmente um pesadelo dar atenção para assuntos que não me parecem relevantes/interessantes, e aí isso se espalha por outras alas da minha vida, como, por exemplo, a ala social. Difícil fazer amigos porque não sei ter o tal “jogo de cintura” que muitos dizem ser essencial para qualquer relação. Não dou muita abertura para viver o mundo do outro. Eu gosto do meu mundo, porém meu pai me disse uma vez “o mundo é feito de contatos”, então eu sei que é importante ter um traquejo social, porém confesso achar um tédio. Não sei fazer esse tipo de coisa.
Esse é meu modo de ser jovem.
Considero-me uma moça centrada, porém muito insegura e seletiva. Desde criança sempre tive uma postura um tanto quanto peculiar, o que afastava outras crianças. Por que estou falando isso? Porque agora, em minha juventude não está sendo muito diferente… Há uma diferença muito grande em meu modo de interagir, e percebo que minhas pautas não soam muito aprazíveis aos que compartilham do mesmo número que eu (23 anos). Socializar é complicado, porém não é a coisa que mais amo (o que mais amo é escrever). As emoções de um jovem são muito intensas e afrontam, atordoam; as tentativas de se encaixar nos parâmetros criados causam ansiedade. É difícil, ao menos para mim, compreender os sentimentos que a vida me causa. O mais complicado é lidar com as cobranças, porque existe uma grande exigência em relação ao jovem; ele precisa ser enérgico, precisa “curtir” e ao mesmo tempo ser responsável e independente, coerente, maduro, etc., porém sabemos que isso não funciona assim. Tenho 23 anos e confesso ainda não saber encarar a vida adulta. Tenho muita dificuldade em sair de casa e explorar o mundo (prefiro explorá-lo estudando a respeito das coisas, mas sem precisar fazer as malas pra lugar nenhum). Não sei se o que estou escrevendo faz algum sentido, porém, no meu ver, ser jovem é ser confuso e não saber exatamente o que fazer ou como fazer, mas sentir-se muito cobrado em relação a “fazer algo”. É uma sensação de “você precisa dar certo! Todos têm expectativas sobre você. Não decepcione essas pessoas”. Enquanto jovem, me sinto bem deslocada, mas isso não é de hoje. Sempre me senti assim. Eu sei o que eu quero e, ao mesmo tempo, sou insegura (bem ambígua); tenho planos, mas me falta maturidade e poder aquisitivo para executá-los de modo adequado… Acho que existir é uma eterna ambiguidade, independente da idade, mas eu sei que na juventude as coisas são mais “à flor da pele”, parece que o Beto Carrero World se mudou para dentro da gente sem nem avisar. Chegou e é isso… Enfim, se eu pudesse um único conceito para definir essa fase da vida, seria “montanha-russa”.
O meu maior desafio enquanto pessoa (e jovem) é conciliar meus hiperfocos com os compromissos acadêmicos e com a vida de um modo geral. Atualmente meu hiperfoco é língua alemã, e aí eu só quero falar disso o tempo inteiro e as pessoas não entendem muito bem. Quando eu era criança, achavam fofo o meu jeito pitoresco, porém agora não é mais assim.
É difícil eu conseguir me concentrar em coisas que não me interessam, e existem várias matérias na faculdade que eu particularmente não estou nem aí, o que implica em um estresse enorme porque sinto as cobranças do mundo. O mundo não se importa se eu estou me divertindo ou apreciando o momento de aprendizagem, só que, para mim, isso é crucial, tendo em vista o fato de eu ter TDA. O autismo intensifica mais ainda o TDA através do hiperfoco e da inflexibilidade. Sou muito resistente. É realmente um pesadelo dar atenção para assuntos que não me parecem relevantes/interessantes, e aí isso se espalha por outras alas da minha vida, como, por exemplo, a ala social. Difícil fazer amigos porque não sei ter o tal “jogo de cintura” que muitos dizem ser essencial para qualquer relação. Não dou muita abertura para viver o mundo do outro. Eu gosto do meu mundo, porém meu pai me disse uma vez “o mundo é feito de contatos”, então eu sei que é importante ter um traquejo social, porém confesso achar um tédio. Não sei fazer esse tipo de coisa.
Esse é meu modo de ser jovem.
(Victória Elsner)

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