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VOLTAIRE E FAKE NEWS

Entre os principais acontecimentos da Idade Moderna, se assentam o iluminismo e o início da revolução francesa, assim como, também, o renascimento, a reforma religiosa, as grandes navegações e o absolutismo. Há certas similaridades entre a situação econômica da Europa no século XV e o contexto, que, infelizmente, pode-se afirmar ser mundial, em relação, não só ao mesmo setor como em vários outros, o que nos relembra os motivos pelos quais o iluminismo se fez tão relevante, marcando a história do mundo. A problemática das fake news me traz à memória um de nossos grandes pensadores dessa mesma era: o famigerado "Voltaire"; O mesmo, durante grande parte de sua vida esteve envolvido em polêmicas que, por mais inacreditável que pareça, facilmente poderiam ser lidas socialmente como "fake news"; naquele tempo, era comum escritores serem envolvidos em polêmicas relacionadas tanto ao povo quanto a outros intelectuais e aos que compunham Clero, tendo em vista a necessidade de permissões para publicarem seus pensamentos. Voltaire, muitas vezes, a fim de ascender e tornar-se um tanto mais notado (o mesmo sofreu inúmeras fases entre decadência e ascensão ao longo de sua vida), publicava seus pensamentos mais escandalosos de modo autônomo (o que era ilegal, sob pena de exílio, algo que Voltaire nunca pareceu temer, já que fora exilado por quase um ano assim que decidiu-se mudar e abrir mão de sua burguesia a fim de tornar-se um "homem das letras", justamente por envolver-se em polêmicas; enfim, o mesmo fora exilado umas tantas vezes por sua grande necessidade de expor o que bem entendia ou por ter a "língua maior que a boca", como diria-se coloquialmente), e, logo após, sabendo o quão comum era a ocorrência de malsinar opositores, o mesmo alegava ter sido vítima de retaliações dos inimigos de seu pensar, ou que a editora havia modificado seus materiais, a fim de destruir sua imagem e incriminá-lo, estando em complô com seus adversários. Era uma boa forma de voltar ao ápice (muitos eram os que utilizavam-se de tal recurso), e, com isso, conseguira enriquecer algumas vezes, e adquirir recursos para elaborar algumas peças baseadas em seus escritos. A característica barroca dessas querelas não se perderam, somente foram adequando-se ao modus operandi das relações humanas, e, atualmente, o que temos por "fake news" é extremamente similar ao que, naquela época, os pensadores iluministas chamavam somente de "retaliação da oposição", ou coisas do gênero, o essencial é: tudo baseava-se na ideia de que notícias falsas eram dadas ao povo como se verdadeiras fossem. Também pode-se trazer à baila uma certa tentativa de volver ao absolutismo, tendo em vista o jargão de nosso atual presidente: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", e toda a polêmica que gira em torno da família Bolsonaro. Por fim, concluo com uma tentativa de disseminar bons agouros: todo o excesso de fake news que envolve o cenário político e social brasileiro, reaviva a essência iluminista que, ambiciono, há em todas as almas residentes não só deste país, como da Terra.

(Victória Elsner)



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