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MINÚCIAS


Não foi por acaso que olhei em teus olhos e desejei teus lábios. Não eram os mais belos que já vi, porém me atraiam de modo colossal - mais do que vossa mercê possa cogitar. Também não fora casualmente que decidi sair de sua vida para nunca mais voltar, tenha certeza de que ponderei por muitas noites até decidir por rumar outras estradas. Amei-te mais do que fostes capaz de assimilar, e é por isso que parti:  porque sua mente não lograva compreender o que eu esperava de nós dois. Ainda lembro tanto das ilusões que criei a nosso respeito. Nunca concebi olvidar-te. E hoje escrevo esses pormenores para que meu coração entenda que tudo se foi e não há mais nada. Olho para mim e penso "Olhe só o que você fez! Parece que realmente fizera questão de perder o pouco que tinha", e posso te sentir perto de mim respondendo "É. Essa foi sua escolha". E então eu crio mil e uma possibilidades para um enredo que já acabara há tanto... Eu tentei, fiz meu máximo em cada detalhe desse nós que eu inventei, porque o que deveras existira não passa de uma traquinagem juvenil compartilhada. Agora as vozes que me dizem ao pé do ouvido "Deixa-me te guiar por novas veredas, onde os pastos são mais verdejantes e o amor percorre por cada partícula." se fazem presentes; essas mesmas vozes são as que me fizeram sair de perto de vossa mercê, pois me disseram que havia modo de arrumar meu coração trincado. De reajustar os efeitos negativos que teus lacônicos beijos, um infinito de incertezas, causaram-me. Apago as luzes, relembro tanto que até esqueço estar atoa numa rua salpicada em sussurros pulsantes. Estou sonhando. Estou acordando. Est..Ou! vem cá, por favor me leva com você para esse lugar que sempre vais enquanto toma um café amargo. Sim, esse local diminuto que mora dentro dos finais sem aviso prévio, acho que é o planeta das minúcias.

(ou das lembranças que queremos esquecer?)

- Victória Elsner


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