É cedo, estou em casa, pantufas calçam meus pés e uma manta enrola meu pescoço. Chimarrão é sempre bem-vindo, portanto, a água já está sendo aquecida e colocada na térmica, cuia e, por fim, erva-mate. Vou fazer um chá para aquecer-me – mas já não fiz chimarrão? Chove lá fora e o vento está gélido. Dia nublado, coração apertado e, na janela, o verde da natureza. Minha perna está trêmula. Faculdade é uma grande loucura, e combina comigo porque sou sempre louca, não importa onde, quando, quanto ou por quê... Já volto - preciso fazer esse chá, e será de maracujá.
Voltei aqui enquanto a água ferve; sim, por puro desassossego. Tenho exames para efetuar essa semana, vou falar sobre aquilo que aprendi no semestre inteiro, qual o problema? E ainda tenho possibilidade de consultar o material, ou seja, tudo está na mais perfeita harmonia, porém a mente vem e fica de conversinha comigo e aí sinto como se tudo estivesse prestes a desmoronar. Fazem dias que quero escrever, mas a inquietude toma conta e não me deixa fazer nada além de andar de um lado para o outro. Ah, preciso ver se a água já aprontou, já volto.
Breve pausa para devaneio: será que é errado simplesmente escrever sobre o que der vontade, somente pelo prazer de ver as palavras se unindo? Essa escrita cura, e essa cura é quem escreve nas paredes da esquina entre meus distais, sempre sedentos pelos próximos enredos, sempre tão marcados pelo meu vício em histórias não contadas.
Ok, o chá está pronto, fumegante e ao meu lado, dentro da caneca que ganhei de meu namorado. Se o trecho saiu rimado, saiba que foi planejado. Na internet, uma imagem com frase clichê: "Seja a mudança que você quer ver no mundo" - pois já vou dizendo: minha ansiedade é tanta que também estou comendo granola com nescau, e eu só queria tomar chimarrão. Por fim, estou escrevendo e prestes a comer algo estranho acompanhado por chá de maracujá. São tantas coisas para pensar, tantos "e se?" – como um pouco da mistureba maluca e sei que eu não deveria achar isso gostoso, rio. Estou aprendendo a não me levar tão a sério. Depois, vou terminar de assistir a revisão do conteúdo e... mais chá, pede meu corpo. O dia está tão geladinho. Eu amo frio – então por que tento me aquecer? Deve ser porque, na verdade, não amo o frio, amo me aquecer, o que exige da Terra uma inclinação em direção ao sol de tal forma que os raios solares sejam capazes de incidir de modo oblíquo sobre o hemisfério afastado, resultando em temperaturas mais gélidas. Nossa, fazer inverno é uma trabalheira, mas considero-o promotor de um grande evento: a conexão com emoções e sentimentos profundos, uma vez que a reflexão e o recolhimento são maiores quando o frio chega. Fico mais nostálgica, e sei que há algo muito precioso em lembrar-se. A mente é uma incrível invenção divina. É o lugar da atividade psíquica, e engloba operações conscientes e não conscientes. Não é, portanto, algo material – uma coisa – mas sim algo imaterial, que não se vê nem se pode tocar. Afinal, nesse frio o que mais faço é recordar o quão bom é ficar no quentinho das cobertas até tarde. O prazer que isso causa transcende qualquer entendimento, e é aí que mora o mistério. Após isso, o fato de meu único telespectador e ouvinte ser esse chá de maracujá, que, além de me ver, também adentra, tornando-se parte de mim é autoexplicativo. Quem me lê, também já acreditou mais na frase do comecinho, onde aleguei ser louca, mas, quem me enxerga, sabe que sou só uma xícara – a “Herz” – uns dias com chá, outros dias vazia. Também sou granola com nescau, e, ah... a tal ideia da mudança mundial... mas só às vezes, né? Sempre fica meio complicado... eu tenho que estudar e dormir um pouquinho.

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