É madrugada.
Não consigo dormir recordando-me de um céu cinzento de uns poucos dias atrás, onde o vento brincava com meus cabelos enquanto meus cotovelos apoiavam-se na janela do quarto.
Choveu forte naquele dia,
e isso refrescou bastante a região como um todo.
Estou comentando essas coisas porque ainda sinto medo de expressar meus sentimentos, e falar sobre o tempo é o que se faz quando não se quer falar sobre nada em específico.
Temo porque um dia entreguei-me por inteiro e sofri.
Sofri tanto que, atualmente, só alguém que esteja realmente disposto a conquistar-me seria capaz de me fazer companhia, pois não me demoro em coração algum. Não depois do que vivi. Alguém que não só me diga, mas que também aja de acordo; que more no sabor existente no desfrutar da própria companhia e consiga compreender a complexidade residente no ato de simplesmente ser.
Tudo que sinto ao relembrar do céu cinzento é reflexo das lembranças guardadas desse amor de verão que me fez transbordar tanto de um modo tão leve. Sereno como um coração disposto a falar por si próprio, onde a fala é tranquila e sincera. Sem surpresas. Só aquilo que o amor verdadeiramente tem a oferecer.
Será que é desejar muito?
Já pensei que sim, hoje penso que é o mínimo que devo esperar dos momentos: verdade! Essa que brilha como aquele sorriso que não consigo esquecer por nada no mundo, porque se entrelaça em meu corpo e me engole, me beija e salpica por toda a derme. É esse que eu quero. Esse que é como um raio de sol no meu peito, irradiando, pulsando, gritando e vivendo. Simples. Simplesmente existindo em mim, como fotografias antigas de um tempo que só volta dentro da gente. E se eu pudesse traduzir isso, esse sentimento, então eu escreveria esse texto todo novamente, de trás pra frente, de frente para trás e vice-versa,
Não há coisa que eu deseje mais no mundo do que sentir isso pulsando novamente
Aqui dentro, no coração.
porque é esse amor que eu quero.
O amor do céu cinzento.
Preciso confessar: amanheceu cedo demais, digo isso porque são 04:43 da manhã e o céu está clareando. Eu continuo aqui, escrevendo sobre coisas que nem entendo direito, só sinto na ponta de meus dedos e começo a escrever sem parar, e, no fim das contas, essas acabam por fazer mais sentido do que eu mesma, porque realmente me são muito mais do que eu.
- Victória Elsner

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