Meu corpo é o sussurro das almas perdidas.
Nas ruas,
nas curvas turvas das inúmeras casas da morte.
As lápides bordam flores secas de um amor relapso em vida. As lágrimas gritam em suas poças, refletindo angústia. Deitada em um chão imundo de um lar indesejado pela maior parte dos seres, sinto-me inclinada a ficar. Ficar no cemitério dos teus pesadelos e ser a lápide das tuas retratadas indiferenças, chamadas rosas. Brancas.
No súbito cansaço dos meus pensamentos barrocos, imaginei ser quem carrega o céu e o inferno nas costas.
Imaginei a cova da morte
Imaginei o cemitério dos vivos
Imaginei... mas só vi relento.
Senti o sabor da terra em meus lábios, e os corpos ligando-se ao meu, como se fossemos um. Amei tantas vezes por tantos túmulos que a morte me revigorou. Chorei tanto pelo pranto dos vivos que, em cada lágrima caída em meu corpo, agradeci pela beleza que há no perdão.
Sou um cemitério dos teus segredos.
Tu, que és morto e nem sabes.
Sou a lápide mais firme,
pois ao invés de um revestimento em concreto,
em meus encalços há o mais puro coração.
(Victória Elsner)

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