
Faltam poucos dias para que eu me vá novamente, e diante de tantas idas e vindas, minha mala não aumenta, então preciso deixar coisas que, muitas vezes, eu queria muito manter, e você é uma delas, infelizmente. Estou tão cansada de viajar, de o mundo ser minha casa e querer que eu conheça todos os cômodos... Chega um momento em que um aposento basta, e acho que estou nessa fase. Não quero conhecer todos os quartos do planeta. Só saber onde é o meu já está de bom tamanho, entende? Eu sei que isso é indiferente, porque pouco te importa onde estou ou deixo de estar, afinal, não somos nada além de estranhos que trocam algumas mensagens de forma esporádica. A grande diferença é: eu converso somente com seres relevantes para mim, você conversa com qualquer um. Eu compartilho coisas somente com um número restrito de pessoas, você é uma versão totalmente oposta disso. Você se conecta com o mundo, eu fujo dele, e talvez seja por isso que ele me queira tanto. Eu te quero, você quer o mundo e o mundo me quer... Um triângulo amoroso e tanto para os dias de sol numa terça-feira tediosa em que deixo de ler textos complexos e repletos de um juridiquês que confesso amar, pois o palavreado rebuscado me seduz. Amo palavras diferentes, falar em códigos e o seu olhar preguiçoso; seu jeito de me fazer corar quando diz que sabe que eu estou morrendo de saudade sua, e que deveria confessar logo. Ou de dizer que sou lindinha, e depois enviar fotos minhas antigas como quem não quer nada, dizendo: "Olha o que eu encontrei por aqui!"; E eu penso no quanto queria ter logrado tirar aquela foto no momento em que estavas a segurar um pedaço gigante de cuca com a boca para conseguir utilizar as duas mãos no teclado a fim de manter uma boa performance no jogo. Ah, quanta saudade eu sinto dessa mentira toda que vivemos. Dessa quimera. Ao mesmo tempo, sou grata por cada detalhe, pois, depois de você, preciso escrever como se fosse para alguém em específico, mas, sendo sincera, não há destinatário.
(Victória Elsner)
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