Descobri, recentemente, que certos ósculos têm o poder de excluir-me da razão. Em dados momentos, os processos mentais perdem totalmente a linearidade. A proporção do desejo é indômita e o gosto do que sinto mora numa necessidade absurda pelo toque físico - o que é totalmente contraditório no contexto geral de minhas vivências usuais, pois sempre esquivo-me ao máximo disto. O impulso é evidenciado através da troca tresloucada de salivas enquanto corpos se esparramam pelo ambiente e nunca sentem-se próximos o suficiente. A volúpia é inerente ao momento, que, por mais incrível que possa parecer, vai muito além dos instintos carnais. Há devoção mútua de sentimentos.Neste labirinto - o das memórias - não há muito espaço para pensar com congruência. É difícil admitir que, quando se trata deste quidam, transformo-me em uma criatura totalmente primitiva que possui um televisor na cabeça ao invés de um cérebro - e não tem o menor laivo a respeito de quem está usando o controle remoto (provavelmente um torturador mental).
Reviver tais peculiaridades faz-me perceber o quando o campo sentimental me é obtuso, lúgubre... O mais assustador é o intento desvairado de minh'alma por estas vivências afetivas, especificamente. Quanto mais óbices, mais sedenta torna-se minha busca. É ilógico, nunca me vi em um contexto tão labiríntico.
O amor é cada dia mais ímprobo e ininteligível para o consentâneo miocárdio pulsante em meu peito, porém confesso apreciar esta montanha russa emocional. Concluo que, divagar pelas minúcias do comportamento, e sentir-me um pouco mais consuetudinária pode auxiliar-me na flexibilização de padrões comportamentais enraizados, e também, num melhor exercício da complacência. Enquanto penso nisto, passeio pela ideia de beijar aqueles lábios novamente.
E, não me pergunte como, mas sei que irei.
(Victória Elsner)
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