Você está se afundando - procurando por qualquer retalho de si. Com os olhos
abertos, tateando o chão como se fosse cego. Sozinho, decaindo. Fora de
controle, com uma faca em suas mãos, implorando pela própria vida - vitimando-se da forma mais teatral possível. Se vê em múltiplas
dimensões em sua casa de espelhos, mas nenhuma condiz com a realidade.
Nesse precipício, muitas voltas não têm recomeços. Nessas
notas tão amargas só existe um poço sem fundo que te carrega e sufoca na urgência
por companhia, mas eu avisei. Eu vi você em sua própria vida. Nos espelhos da
mentira.
As lágrimas do seu "sofrimento" são vitrais que
contam histórias da forma mais dolorosa possível: rasgando camadas profundas. Uma
ilha se forma ao redor do seu corpo e então surge uma floresta, labaredas de
fogo e a única coisa que se vê é morte. A única coisa que se sente é solidão.
Nessas horas, você até tenta se acolher na maldade
instintiva do ego. O sangue pulsa, o pulso sangra e os olhos vertem. O olho
vibra, a pupila dilata e o coração estremece no meio do céu. Nessas horas,
inicia-se uma sedenta procura por aqueles que deixara para trás como se não
valessem o que comiam. Perdido em seus próprios enredos mentirosos, passa a
idealizar aquilo que fizera descaso no pretérito.
A maldade e o sarcasmo já não têm o mesmo efeito, e então o
que resta é o exílio - uma atribulada condição de ter, mas nunca ser. Este será
o dilema final - e o que restará serão as fagulhas de milhares de corações
partidos que recomeçaram, mas somente o seu será condenado ao eterno martírio.
(Victória Elsner)

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