Encontrei milhares de fotografias reveladas nos olhos de um
casal que caminhava de mãos dadas pela calçada de uma rua qualquer. Eles
sorriam de um modo tão puro, cheios de sonhos e romantismo. Uma taça de vinho
branco apoiada sobre a janela, gargalhadas ecoando pelo quarto e então o
silêncio prevaleceu pelo restante das horas, os olhos fechados enquanto beijos
salpicavam o ambiente. Entrega total à sensação de não existir mais nada que
pudesse ser equiparado, não havia momento melhor a ser vivido, mas somente a
certeza de que sempre seriam lembrados um pelo outro daquela forma. Um corpo
passeando no outro. O compasso de dois corações transbordando, abrindo alas para os velejantes do
tempo, que muitos apelidam de "amor" e "paixão", se perderem entre os lábios macios que ornavam ambas as faces, e também os
lençóis. Todos os sentimentos se abraçavam em meio ao momento noturno desenhado
pelas curvas destes dois corpos famintos. Destas duas almas inquietas,
compartilhando tudo o que podem para sentirem-se cada vez mais perdidas nas páginas
de um livro que transcreve o reencontro de dois olhares, e gera faíscas por
tudo ao redor. Eles se beijam sob as estrelas e conversam sobre a lua, enquanto
a estrada fica cada vez mais árdua e longínqua na hora de dizer adeus. A
vontade de estar perto pulsa mais forte, a intensidade do querer toma
proporções tão profundas quanto o mar. O aconchego é tão grande na escuridão
daquele quarto que, às vezes, o único desejo é nunca sair de lá. Nunca abrir a
porta e enxergar o mundo. Há uma pequena voz que sussurra milhares de motivos
para deixar a timidez de lado e ir em busca do amor, sem temer nada. Se atirar
neste precipício que muitos dizem ser o mais válido existente. Se existisse
algum modo de fechar meus olhos e ir ao encontro de todos os sentimentos que
consegui enxergar naquele dia, a única coisas que eu mudaria é o fato de não
ter dito àquele casal que eles eram o perigo mais belo que eu já pude avistar.
Suas faces eram armas nucleares prestes a explodir, suas mãos dadas eram bombas
atômicas. Um ato a mais e tudo se tornaria uma catástrofe. Um risco terrível
para ambos. Eles e todas aquelas fotografias espalhadas pelo jeito com o qual se
admiravam durante o caminho a lugar nenhum. Tudo isso estava impresso naqueles
olhares que viam muito mais do que falavam. O amor expande horizontes, e em
alguns segundos só conseguia pensar no quanto aqueles dois deveriam correr
E explodir.
(Victória Elsner)

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