Quando não se sabe como ajudar, escreve-se algumas letras em um papel de mesa. Chora-se em alguns recantos e então não se trata mais de uma necessidade empática, mas sim de um intento absurdo por sair. Ausentar-se do céu, retirar-se do domingo e se secar nas toalhas de quinta-feira à noite. Revirar sopas de pedra e requentar batatas fritas no microondas.
Quando não se sabe por onde oferecer auxílio, se inquietam as mãos. Se amaluca a mente e então não se trata mais de uma coisa que precisa ser sabida - reconhecida no salgado do mar e pelo chão batido de uma terra sem lei possante de tortuosas esquinas que arregalam os olhos ao invés de acolher. Podemos fazer ou saber o que for, correr no ardor enquanto os pés descalços queimam. Vestir o avesso. Doar o tempo... vestir o corpo do outro, mas quando também não se sabe de amor, tornamo-nos nada além de uma grande escala de nuances que perpetuam a morte.
(Victória Elsner)
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