
Estamos sentados na escuridão sem nada a dizer um ao outro – e essa me parece a melhor declaração de amor já feita em toda a minha inexistência.
Todos, alguma vez na vida, deveriam correr para dentro de si mesmos e descobrir o que mais pode haver. Desvendar e ressignificar suas próprias existências. Ficariam consigo, mesmo sabendo que não gostariam de estar junto de ninguém que não quisesse estar só. Abraçar-se-iam enquanto adentram um cemitério antigo, fazendo as pazes com a Morte, e então segurariam suas mãos sem tentar soltar, porque isso é o que se quer para a eternidade - e passariam a execrar tanto as multidões que, jamais suportariam ter uma delas internamente - e então, nos braços lúgubres da mesma, diriam:
"Cada
partícula que faz parte de você, faz tanto sentido para mim que nem me sinto
mais tão só, como se estivesse à parte do tempo e do espaço. O efeito
que você me causa até me faz acreditar no amor. Até me faz acreditar em algum
tipo de verdade no mundo terráqueo... Essa noite eu olhei para o meu coração
estilhaçado e cogitei te entregar ele para tentarmos dar um jeito nisso tudo. Existem
tantos motivos pelos quais eu penso que deveria desistir de tudo o que está ao
meu redor, mas todas as vezes que eu não tenho mais nada a fazer penso em todos
os meus próprios fragmentos espelhados em você. Todas as dimensões me parecem
muito mais válidas desde que você se materializou em minha vida. São tantas milhas, tantas mentalidades, tantas juventudes misturadas
no meio de idas e vindas o tempo inteiro. Um tempo tão insalubre que me faz pensar
que, talvez, minha vida devesse ser mais delicada, mudar meu nome, meu endereço e todos
os meus códigos de conduta para linhas verticais em tons estultos. Mudar tudo, indo do vinho para água. Só que durante todo o tempo em que esses pensamentos passeavam
por meu cérebro, também lembrei que ser uma constelação completamente
desinteressada em agradar a multidão de c(egos) que rodeiam-me, nunca me pareceu tão errado. Antes de você
chegar, impeliam-me a crer que meu coração deveria ser mais cândido ou, ao menos, não obscuro, mas tudo parecia-me tão agressivo à minha essência. Tudo o que não poderia caber em mim. Nem ser
certo, ou digno diante de minha face monocórdica de sempre, era o que diziam-me ser ideal. Se tudo isto for um erro, agora tornou-se indiferente, irei entregar-me à...
Uma conjuntura
adventícia com nome e sobrenome.
(Liames e junturas)
Com vestes em tons caliginosos
(Inexistentes)
Que, às vezes, só queria...
(Como eu e você)
(De mãos dadas
numa linha do tempo desconexa)
em um calabouço colossalmente congruente com sua alma pardacenta
(Sempre encontrando um novo lugar para exercer suas peculiaridades)
Obsoleta e
assombrada, assim transcorre ela por nossa própria inexistência.
(Sempre em
busca de um local tão insólito quanto suas próprias sínteses)
Para ir
(E nunca
mais voltar)".
- Victória Elsner
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