
Num caderno
antigo digressiono a respeito do quanto o mundo me parece uma complexa e despótica
matiz. No mesmo, algumas coisas se determinam através de muito engaje enquanto outras
simplesmente chegam sem muita explicação, se apropriam de você e então não se
tornam mais uma questão opcional. Não obstante, as entrelinhas deste postulado - que adquiri
através de alguns papéis valorados monetariamente, de forma parva e aleatória, por seres estultos - são preenchidas com grande e
intrínseca diligência em saber a respeito de como fizemos para termo-nos perdido de
nós mesmos enquanto bebíamos do cálice rico em autoconhecimento que a Morte nos
servira - e serve continuamente - de maneira elegante e sutil. A pequena e idílica forma com a qual os
detalhes se apossam de cada letra, formando códigos quiméricos, perpetram-me a
associar tudo à uma interação entre prótons e nêutrons numa esfera eletromagnética.
Num
amontoado de equívocos,
Na
soturnidade da qual sou possante há muito.
No que
dizem ser enfarruscado.
Ali,
Naquele
fascículo longevo...
Estou abraçada
em alguns esgalhos de sabedoria mórbida, e até pareço ter asas que protegem-me
do padecimento. As estrelas fazem-me companhia em minha obscuridade e, ao fechar os olhos e obsecrar para que levem-me para milhas mais distantes, para que
arrebatem meu corpo feito de pó, passo a sentir, colossalmente, muralhas se quebrantando e transformando-se
em uma flama inextricável e benevolente, mas isso a torna nada modesta e...
Insolitamente inverossímil
(No amplexo
de todo o manto noturno que beija minhas pálpebras)
Tentadoramente
pitoresca
(Como em
todos os dias em que eu senti que poderia estar num cosmos, nomeado latíbulo por
muitos)
Um total enlevo
(Enquanto
ladrilho um breve caminho em direção aos beijos da Morte)
Hiperbolicamente
(À medida
em que rendo-me aos desígnios de meu próprio, e obtuso, coração)
Irresistível
(Só pra
tocar em teu rosto enquanto arrefeço nos braços deste cabalístico e lúgubre
amor).
- Victória Elsner
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