Se existissem milhares de flores em mim, se houvessem dúzias
de pétalas despedaçadas no lugar de meus ossos eu diria estar em uma jornada
incrível para lugar nenhum. Eu faria tudo que pudesse para esquecer do ontem e
jamais cogitar o amanhã... Um jazigo seria ideal para repor as energias, e a
terra cobriria meu corpo e todos os meus intentos. Expectativas não servem para
nada. O gosto dos grãos em meus lábios, cobrindo meus olhos enquanto milhares
de vozes se difundem em sussurros cada vez mais baixos, milhares de escolhas
cada vez mais distantes do que alguns dizem ser o “outro lado”. Eu não preciso
mais respirar e nem vestir-me. As densas camadas de matéria não comportam mais
para mim...
Te vejo do outro
lado, te vejo no avesso deste rumo. Na curva que mais amedronta a mente humana.
Sim, esta que muitos nomeiam Morte.
Eu gosto deste gosto
suave do sangue em meus lábios ébrios.
Minh’alma ressurge como uma grande fumaça.
Meu gosto é obscuro e delicadamente obsessivo pelo que
muitos chamam de veemência.
Só, e intensamente.

- Victória Elsner
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