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FLORES MARCESCENTES


CLM - Styling - Katie Grand - LOVE Issue 12 Wizard
Andei por todos os enredos possíveis, chorei por verdades que pareciam mentiras e, no final, sequei como folha de outono. Derramei-me por inteiro em cada passo, senti o mundo se desfazer aos poucos e, por certos momentos, perdi-me. Em mim não via contexto, pretexto ou o que seja. Em mim não vertia sangue, não se tinha nada. A janela que tanto olhei guardava segredos que, outrora, me eram óbvios por si só, mas com os olhos ressequidos já não pudera eu compreender os mesmos. Nos dias em que andei sobre as flores secas em meu jardim, tive a certeza de que quanto menos palavras eu dissesse, quanto mais longe eu estivesse, mais perto estaria de mim. Não importar-me-ia a distância, no meio de tantas realidades fotografadas em uma mente sonhadora. Não importar-me-iam as lembranças chuvosas e vagas de um oceano reservado em conta-gotas. Não, ressalto, não afetar-me-iam mais os desconchavos do externo. Como se eu pudesse piscar os olhos e sentir a brisa do céu, interpelou-me uma estrela. No véu maciço, questionou-me Vênus e até Marte: por que escreves? Então, na terra, vi-me entre fauna, flora e, no verde dos esgalhos, deparei-me com a riqueza de cada flor - esquinas idílicas da natureza. E minha resposta foi sucinta, considerando o fato de que estive eu no primor, estive eu na dor, mas o que fizera-me escrever não fora isso, nem aquilo. Não foram referências nem autores daqui ou de acolá. A ideia de que nenhuma palavra basta, mas que todas são impudicamente bem-vindas, a conjuntura de que o ideal não é nada mais e, nem nada menos, do que um postulado vetusto. Todas as inúmeras invenções humanas, ávidas por destruir aquilo que já está perfeito em suas próprias limitações, estão em seu ápice quando reconheço-me fadada todos os dias a transbordar, assim como as flores a marcescer.

- Victória Elsner

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