Contida era ela em seus passos, mesmo que uma chuva de meteoros quando em meus braços. Na vida fazia ela linhas verticais em tons de cinza e tudo me parecia tão simples que até pensava que complicar não seria má ideia. A mesma me avisara que não poderia se demorar onde não coubesse sua intensidade, que não havia abismo pior do que pensamentos que se contradizem com as batidas do coração.
Era ela,
Era eu,
E nossos corpos se faziam um.
Admirando seus olhos negros, admiti para mim mesmo que não havia nenhuma outra condição suportável que não fosse a de tê-la somente para mim. Aquelas íris penetrando - e transpassando Minh ‘alma a cada sorriso - não me davam trégua para imaginar algo diferente do que compartilhar o travesseiro e o edredom num domingo chuvoso, de sol, nublado, inexistente, apocalíptico, curvilíneo, lânguido e obscenamente despretensioso.
Era ela
Me bagunçando inteiro
Naquele beijo inconspurcado
Que me enlouquece
Cabalmente
Digo-a o quanto me deixa frenético, alucinado e tresloucadamente fora do que considero consuetudinário. Fecho os olhos e entendo os motivos pelos quais a mesma não consiga se demorar onde não possa expressar seu fervor tão acriançado.
Inocente.
Entre sussurros, perdi-me em alguma
esquina daquele corpo que – esparramado por todos os recantos deste quarto que
chamo de meu – outorga-me espaço para nada além de alguns versos escritos na derme macia que também considerei uma escada em direção ao ápice dos céus.
Com meus próprios lábios acanhados e famintos por aqueles peculiares
aspectos, beijo seus olhos, seu rosto e sua boca enquanto assopro entredentes:
Chama-me "Teu", menina,
Pois quero-te "Minha", mulher.

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