
Aguardei-te taciturna sentada em frente ao cemitério. Ao lado, uma capela reafirmava o clima ameno e excentricamente interiorano do local.
A meia luz que amparava arbustos e flores também servia-me como abrigo. Ouvi teus passos, o coração acelerava os batimentos enquanto a mente planejava a melhor maneira de lhe cumprimentar pessoalmente pela primeira vez. Um breve beijo onde as bochechas se encostam e o estalo é jogado ao ar, assim foi... acomodou-se ao meu lado e então nossos olhares se encontraram e parecia que, por meros segundos -que pareciam minutos- dissemos sem dizer que o que queríamos era exatamente a mesma coisa: um ao outro. Conversar sobre a ininterrupta capacidade humana de se reinventar, sobre as tecnologias espaciais e possíveis abduções num dia de chuva... trocar informações a respeito do quanto somos relapsos quando se trata de experimentar toda a aventura que é viver e resgatar a si próprio... No fim das contas tudo se tratava de estar perto, sintonizar as energias e, por fim, se entregar de forma abrupta a um manto estrelado e silencioso que nos brindava com as mais belas divagações sobre tudo o que há de curioso no percurso da vida. Em minha mente eu só organizava algo como: "Preciso tomar cuidado para não ser tão específica"...
Além do horizonte eu me imaginava conectada com toda a natureza e todos os fatores que nos rodeavam. Eu estava anestesiada e perdidamente encantada com tudo o que seus olhos conseguiam me transmitir: liberdade!
No momento em que senti seus lábios nos meus, obliterei-me da noção do tempo. Senti-me no limítrofe da adrenalina - simplesmente perdi-me até de meus próprios pensamentos - e então tive a certeza de que não se tratava de mim, mas sim do que transbordava em meu peito: Nós.
-Victória Elsner
Lê-lo como quem sonda as profundezas outrora insondáveis, assistir à tão belamente nostálgica descrição de uma pequena eternidade, os irônicos momentos que riem de nós e não sabemos se é riso de puro deleite ou pura crueldade diante nossa incapacidade de percebê-los tais como são; fazê-lo enquanto Beethoven dedica uma sonata àquela luz de um astro somente visto à noite, quando nós mesmos sentimo-nos nadar pelo éter como as próprias estrelas...
ResponderExcluirEssa é a magnitude das palavras, para nós, criadores e leitores da eternidade, para nós, que criamos a vida...
Certamente que sim, caro Nicholas! Grata por suas considerações.
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